Jovens com deficiência intelectual leem, escrevem e praticam capoeira em Salvador

Jovens com deficiência intelectual leem, escrevem e praticam capoeira em Salvador

O acesso a esporte, cultura e lazer é uma das mais eficazes formas de estimular crianças e jovens com algum tipo de deficiência intelectual.

    Pacientes que começam a frequentar centros especializados costumam apresentar melhoras já nos primeiros meses. No Brasil, os Centros Especializados de Reabilitação (CER) oferecem um amplo leque de serviços na rede pública de saúde. Além da reabilitação física, visual e auditiva, esses locais também fazem o tratamento de pacientes com deficiência intelectual, como Bruno Leonardo Maia, de 14 anos que participa de uma série de atividades no CER do Hospital Santo Antônio, em Salvador, Bahia.

    Quando era pequeno, Bruno sofreu uma paralisia cerebral que teve como sequela uma hemiplegia, condição que deixa metade do corpo paralisada. Para aumentar a coordenação motora, ele faz aulas de capoeira regularmente no CER. O esporte, além de melhorar a capacidade de movimentação, serve para lhe dar mais confiança. “Ele é muito inseguro, tem medo de cair”, observa uma das médicas que o atendem, a fonoaudióloga Alessandra Queiroz.

    A profissional de saúde atua na reabilitação cognitiva. Segundo ela, atualmente, Bruno está em um grupo de leitura e escrita. O adolescente é capaz de falar e escrever, mas, às vezes, precisa de ajuda. Nesses casos, Alessandra dá dicas e pistas para que ele perceba como devem ser a pronúncia e a grafia correta. “Palavras regulares, como ‘sapo’, ele já consegue falar. Mas há palavras irregulares, por exemplo, ‘casa’, que escreve com ‘s’, mas tem som de ‘z’, que a gente tem trabalhado mais nas sessões com ele”, explica.

    Nesse mesmo centro em Salvador, a jovem Michele Leite, de 12 anos, também faz parte do grupo de leitura e escrita. A menina, que tem deficiência intelectual, faz as mesmas atividades que Bruno, exceto capoeira. “Ela não tem comprometimento motor, apenas cognitivo”, ressalta Alessandra.
    Centros

    Os CER atendem pessoas com deficiência física, visual, auditiva e intelectual, conforme o número de modalidades habilitadas. Os CER II abarcam duas modalidades de deficiência, os CER III, três modalidades e os CER IV, como o do Hospital Santo Antônio, as quatro modalidades.

    O funcionamento desses espaços integra as ações do programa Viver Sem Limites, lançado em 2011 com o objetivo de ampliar o acesso e a qualificação do atendimento às pessoas com deficiência no Sistema Único de Saúde (SUS). Já foram investidos R$ 833 milhões para expandir e aprimorar a iniciativa.

    A ideia dos centros é garantir o desenvolvimento de habilidades funcionais dessa população para promover autonomia e independência. “A reabilitação é o que diferencia o CER das instituições antigas, onde se trabalhava somente a deficiência”, compara Laura Queiroz, coordenadora do CER do Hospital Santo Antônio.

    Atualmente, estão em funcionamento 102 unidades na rede pública. O Ministério da Saúde já doou, ao todo, 108 veículos adaptados e financiou a construção de mais 110 CER e 37 Oficinas Ortopédicas, além da reforma e ampliação de 45 CER e três Oficinas e equipamentos para 69 CER e 15 Oficinas.

    Fonte: G1