Os riscos do sabonete antisséptico

Os riscos do sabonete antisséptico

Os sabonetes antimicrobianos ou antisséptico prometem eliminar grande parte das bactérias da superfície da pele. Isso, porém, não significa uma redução do risco de doenças, segundo uma revisão de estudos publicada na revista “Emerging Infectious Diseases”, dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (EUA).

Segundo a pesquisa, profissionais da saúde que usaram sabonetes antimicrobianos por um longo período de tempo tiveram até um aumento no número de micro-organismos nas mãos, efeito relacionado ao declínio da saúde da pele decorrente do uso do produto.
Lavar as mãos continua sendo essencial para reduzir os riscos de infecções, porém um sabonete comum já é suficiente para isso, de acordo com os especialistas.

Segundo o médico Marcos Antonio Cyrillo, integrante do Comitê de Resistência Antimicrobiana da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), outro problema importante relacionado a esse produto é o risco de estimular a resistência bacteriana. “O uso indiscriminado e contínuo pode tornar as bactérias mais resistentes a antibióticos”, diz o especialista.
Segundo a publicação do CDC, casos de resistência bacteriana em decorrência do uso de antimicrobianos já foram reportados na Inglaterra e no Japão.

“A população geral não tem indicação de uso de sabonetes antimicrobianos. Esses produtos devem ser utilizados só sob prescrição de um profissional médico. Caso contrário, o uso não trará benefícios”, observa Cyrillo.

Álcool em gel

Especialistas recomendam o uso do álcool em gel em momentos em que a pessoa não pode lavar as mãos com água e sabão. O produto não tem potencial de desenvolver resistência bacteriana e outras vantagens incluem boa atividade microbicida e praticidade. Segundo a revisão publicada pelo CDC, o uso do produto evita danos provocados pelo sabão e pela fricção do excesso de lavagens.
Para a dermatologista Natalia Cymrot, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), pode ser uma boa ideia para pessoas que têm o hábito de lavar as mãos muitas vezes por dia substituir algumas das lavagens pelo uso do álcool em gel para evitar irritações e descamações por conta do excesso de lavagens.

Fonte: Bem Estar