Saiba como evitar a ‘Síndrome do Coração Festeiro’

Saiba como evitar a ‘Síndrome do Coração Festeiro’

Festas de final de ano são momentos para comemorar, beber, comer e se divertir. No entanto, o exagero cometido nessas datas pode ser prejudicial a algumas pessoas, especialmente aquelas com maior tendência a sofrer arritmias cardíacas, ou seja, variações nos batimentos cardíacos que causam sintomas como palpitação, dores no peito e falta de ar.

A fibrilação atrial é um tipo de arritmia cardíaca que costuma aparecer mais em datas festivas. O problema ocorre quando o coração se contrai de maneira irregular, prejudicando o bombeamento do sangue. Em casos mais graves, a condição pode fazer com que o sangue não seja completamente expulso do coração, aumentando o risco de formação de coágulos nos vasos. O perigo da doença está na possibilidade de esses coágulos saírem do local onde foram formados e irem ao cérebro, por exemplo, provocando um AVC. 

Em 1987, médicos americanos observaram que a maioria dos pacientes que procuraram atendimento no Natal tinha algo em comum: sintomas associados ao problema. Por esse motivo, passaram a chamar a doença, quando desencadeada nesse contexto, de Holiday Heart Syndrome

A relação entre datas festivas e problemas cardíacos foi comprovada por um estudo publicado em 2004 na revista científica Circulation. Após analisarem as mortes registradas nos Estados Unidos ao longo de quase três décadas, os pesquisadores concluíram que o número de óbitos causados por problemas cardíacos é 5% maior nos feriados. No ranking das datas com mais mortes decorrentes da doença, o dia 25 de dezembro ocupa a primeira posição, seguido pelos dias 26 de dezembro e 1.º de janeiro.

Causas — No caso específico da fibrilação atrial, sabe-se que os hábitos cultivados nas festas, como comer e beber muito, podem desencadear crises da doença. “Esse é o momento em que as pessoas exageram no consumo de álcool, vão para as festas e comem tudo o que têm direito e passam por emoções variadas”, explica Bruno Valdigem, médico especialista em arritmia cardíaca dos hospitais Albert Einstein e Dante Pazzanese.

De acordo com o cardiologista, pessoas que já têm problemas no coração ou que apresentam tendência a desenvolver um devem ter atenção especial aos exageros festivos. No entanto, as recomendações médicas para o final do ano valem para todos: é preciso procurar não cometer exageros e procurar ajuda médica caso apareça algum sintoma fora do comum.

Procure não exagerar no álcool:

Em quantidades moderadas, o álcool pode beneficiar a saúde, mas o seu excesso, entre outros prejuízos, pode desencadear crises de  arritmia cardíaca em pessoas com  fibrilação atrial ou predisposição ao problema. Isso porque o álcool compromete o músculo cardíaco e o bombeamento do sangue, provocando sintomas como palpitação, dores no peito e falta de ar. “Recomenda-se a ingestão de três doses de álcool por dia, o equivalente a 300 mililitros de cerveja, 120 ml de vinho ou 30 ml de destilado”, diz Bruno Valdigem, cardiologista dos hospitais Albert Einstein e Dante Pazzanese. No caso de cair em tentação, aquele que sentir qualquer sintoma do problema deve em procurar atendimento médico o mais rápido possível para evitar que ele se agrave.

Coma até ficar satisfeito – e não mais que isso:

Comer em quantidades exageradas pode ser uma das causas da ‘Síndrome do Coração Festeiro’, já que faz com que o estômago distenda e pressiona o abdômen, o que reflete na função cardíaca. Consequentemente, em pessoas com tendência à arritmia, os batimentos são prejudicados e há um maior risco de crises que levam a palpitações ou dores no peito, por exemplo. Além disso, exagerar no consumo de sal também pode desencadear esses problemas, uma vez que o sódio aumenta a pressão arterial, um dos fatores de risco para a fibrilação atrial.

Tome cuidado com o energético

O excesso de cafeína também pode levar a uma crise de arritmia cardíaca em pessoas com fibrilação atrial. Por isso, pequenas quantidades, como o as presentas em uma xícara de café, não ameaçam a saúde desses indivíduos. O perigo está em bebidas com concentrações muito altas de cafeína, como os energéticos. “Não existe uma recomendação para o consumo de energético, uma vez que a bebida não traz nenhum benefício à saúde. Por isso, a regra é não exagerar no energético ou então banir a bebida caso o seu consumo traga sintomas como dores no peito e palpitação”, diz o cardiologista Bruno Valdigem.

Controle o stress:

O stress – seja ele provocado por emoções negativas ou positivas – aumenta a liberação de adrenalina no corpo, hormônio que provoca alterações na corrente elétrica do coração e altera os batimentos, principalmente de quem já possui tendência a ter crises de arritmia cardíaca. Por isso, procurar levar uma vida com maior controle das emoções é indicado para aqueles que desejam festejar sem imprevistos.

Fonte: Veja