Seis hábitos diminuem em 90% risco de ataque cardíaco em mulheres

Seis hábitos diminuem em 90% risco de ataque cardíaco em mulheres

Mulheres que seguem seis práticas saudáveis têm 92% menos risco de sofrerem um ataque cardíaco. Essa foi a conclusão de um estudo com mais de 70 000 participantes publicado na segunda-feira no periódico Journal of the American College of Cardiology.

Foram considerados hábitos saudáveis não fumar, ter um índice de massa corpórea (IMC) normal, praticar atividade física por pelo menos duas horas e meia por semana, assistir menos de sete horas de televisão por semana, consumir no máximo uma dose de álcool por dia e seguir uma dieta saudável.

Análise — As participantes tinham em média 37 anos no início do estudo. Ao longo de duas décadas, elas foram submetidas a um questionário sobre seu estilo de vida, repetido a cada dois anos.

Durante o tempo de monitoramento, 456 participantes tiveram um ataque cardíaco. Outras 31 691 foram diagnosticadas com pelo menos um fator de risco para doenças cardiovasculares, como diabetes tipo 2 e hipertensão.

“Enquanto as taxas de mortalidade para doenças do coração têm diminuído nas últimas quatro décadas nos Estados Unidos, as mulheres com idades entre 35 e 44 anos não seguiram esse declínio”, afirma Andrea Chomistek, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Saúde Pública Bloomington, nos Estados Unidos. “Essa disparidade pode ser explicada por escolhas não saudáveis de estilo de vida.”

Hábitos — Os pesquisadores concluíram que as voluntárias que aderiam a todos os seis hábitos saudáveis tinham 92% menos risco de sofrerem um ataque cardíaco e 66% de desenvolver algum fator de risco para doenças do coração.

De acordo com os autores, se todas as participantes tivessem seguido as práticas saudáveis, três quartos dos ataques cardíacos não teriam acontecido. Além disso, a mulher que já apresentava um fator de risco e que começou a seguir pelo menos quatro das práticas apresentou uma diminuição significativa do risco de desenvolver doença no coração.

“Essa é uma importante mensagem de saúde pública. Incorporar esses hábitos de vida o quanto antes é um método fácil de prevenir futuros problemas no coração”, diz Andrea.

Como prevenir um infarto?

Controlar os níveis de colesterol:

Um dos principais fatores para evitar acúmulo de gordura na parede das artérias (a chamada aterosclerose) é controlar os níveis de colesterol. Enquanto o colesterol ruim (LDL) deposita gordura na parede das artérias, o colesterol bom (HDL) leva o excesso de gordura para o fígado, de onde ele será eliminado pelo intestino.

Taxas saudáveis de LDL e HDL evitam a formação de placas de gordura, que causam coágulos. “A aterosclerose diminui o calibre do vaso e pode levar até à obstrução do fluxo sanguíneo. Ou ela pode criar uma fissura que exponha o núcleo da placa de gordura. Essa parte, ao entrar em contato com o sangue, origina o coágulo”, explica o cardiologista Cesar Jardim, responsável pelo Clinic Check up do Hcor Diagnóstico, em São Paulo.

Seguir uma dieta pobre em gordura saturada e rica em fibras, praticar atividade física e parar de fumar são medidas que ajudam no controle do colesterol.

Praticar atividade física:

De acordo com o cardiologista José Renato, do Hospital Samaritano de São Paulo, a atividade física é uma das medidas isoladas mais benéficas para a prevenção do infarto. Hormônios liberados pelo organismo depois do exercício, como a endorfina, relaxam a parede das artérias. A pressão arterial cai, a taxa de glicose diminui e o índice do colesterol bom, que elimina o excesso do colesterol ruim no organismo, se eleva. A recomendação é praticar 30 minutos de atividade física como corrida, caminhada e natação no mínimo três vezes por semana.

Não fumar:

Substâncias presentes no cigarro, como a nicotina, facilitam a coagulação sanguínea e fazem as placas de gordura se lesionarem com mais facilidade. “O cigarro funciona como uma gasolina para a aterosclerose se formar e se romper”, explica o cardiologista do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, em São Paulo, Marcelo José de Carvalho Cantarelli, coordenador da campanha Coração Alerta da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Controlar o diabetes:

Altas taxas de açúcar no sangue facilitam a formação das placas de gordura na artéria que, por sua vez, podem ocasionar um coágulo. Isso acontece porque o diabetes enrijece a parede interna do vaso (endotélio), ao alterar seu metabolismo. “Além disso, a síndrome desregula o nível de colesterol no sangue, outro fator que favorece a formação de coágulos e a ocorrência do infarto”, explica Marcelo José de Carvalho Cantarelli.

Evitar o stress:

Quando o organismo está submetido ao stress contínuo, libera uma grande quantidade de noradrenalina, um neurotransmissor que contrai os vasos e favorece a coagulação. “O stress crônico aumenta os níveis de pressão arterial e de glicemia, por exemplo, fatores que elevam o risco de infarto”, afirma cardiologista José Renato, do Hospital Samaritano de São Paulo.

Controlar a hipertensão:

A hipertensão pode causar lesões nas paredes internas das artérias e torná-las menos elásticas e mais predispostas ao endurecimento. “Esse processo aumenta o risco de infarto por facilitar o depósito de gordura no vaso e, consequentemente, o desenvolvimento da aterosclerose”, diz Cesar Jardim.

Manter o peso ideal:

A obesidade pode levar ao desenvolvimento de hipertensão e diabetes, fatores de risco para o infarto. Por isso, é preciso monitorar a balança. O cálculo do índice de massa corpórea (IMC), medida que relaciona altura, peso e taxa de gordura, ajuda a determinar se o indivíduo está com o peso ideal.

Tomar cuidado ao associar anticoncepcionais e tabagismo:

O infarto costuma ser associado ao sexo masculino. A incidência do problema, no entanto, é cada vez maior entre o feminino. Há 30 anos, havia dez homens infartados para cada mulher. Hoje, essa relação é de três homens para cada mulher. Uma das razões é a combinação entre anticoncepcional e tabagismo. O medicamento facilita a coagulação sanguínea, assim como o cigarro. “Os dois fatores somados aumentam o risco de infarto também em mulheres jovens”, diz Marcelo José de Carvalho Cantarelli.